quinta-feira, 6 de março de 2014

STANLEY KUBRICK, O GÊNIO INDOMÁVEL - PARTE 1




Ele era mais que um simples diretor de cinema. Era gênio, absoluto do cinema mundial; mesmo com uma filmografia reduzida, se comparada à de outros colegas diretores.

Kubrick era capaz de realizar obras-primas, que eram desafiantes do ponto de vista intelectual. Não tão somente películas, mas uma experiência artística sem precedentes. Suas produções dificilmente eram lineares. Poucas vezes havia apenas uma linha reta a seguir. 



Fazia filmes para que o espectador fosse levado a pensar, a raciocinar plenamente sobre o que ele acabara de ver e sobre as coisas que o cercam.

O diretor operava com uma invejável liberdade nos sets de filmagem. Tinha total independência e a palavra final sobre pré e pós-produção. Da escolha do elenco aos cartazes de divulgação. Mas nem sempre foi assim. Stanley foi conquistando isso vagarosamente. 

Começou com curta-metragem, mas seu primeiro longa já abordava um de seus tema favoritos: guerra. MEDO E DESEJO falava sobre um grupo de soldados encurralados por trás de linhas inimigas numa guerra fictícia. Depois veio A MORTE PASSOU POR PERTO. Narrado pelo protagonista, o filme conta a história do boxeador fracassado Davey Gordon que se apaixona pela sua vizinha, uma dançarina de salão. A moça (Glória) namora seu patrão e criminoso, Vincent Rapallo, mas deixa este para ficar com o boxeador.

Seus filmes seguintes foram, com o tempo, alçados a condição de clássicos. 

E começou com O GRANDE GOLPE. O film noir descreve os esforços de Johnny Clay (Sterling Hayden) e um time reunido para roubar um hipódromo. O uso de uma cronologia não-linear e múltiplos pontos de vista influenciou muitos cineastas posteriores, tais como Quentin Tarantino. De cara, foi aclamado pela crítica.




GLÓRIA FEITA DE SANGUE, com Kirk Douglas foi a produção seguinte e é, até hoje, um primor. Durante a Primeira Grande Guerra, general francês ordena um ataque suicida contra os alemães, que resulta em tragédia. Para abafar sua participação no incidente, ele escolhe três soldados como bodes expiatórios, julgando-os e condenando-os à morte.




SPARTACUS é um homem que nasceu escravo, labuta para o Império Romano enquanto sonha com o fim da escravidão. Ele, por sua vez, não tem muito com o que sonhar, pois foi condenado à morte por morder um guarda em uma mina na Líbia. Mas seu destino foi mudado por Batiatus, um lanista (negociante e treinador de gladiadores), que o comprou para ser treinado nas artes de combate e se tornar um gladiador. Até que um dia, dois poderosos patrícios chegam de Roma, um com a esposa e o outro com a noiva.
As mulheres pedem para serem entretidas com dois combates até a morte e Spartacus é escolhido para enfrentar o gladiador Draba, que vence a luta mas se recusa a matar seu opositor, atirando seu tridente contra a tribuna onde estavam os romanos. Este nobre gesto custa a vida do gladiador e enfurece Spartacus de tal maneira que ele acaba liderando uma revolta de escravos, que atinge metade da Itália. Kubrick não era o diretor original, mas após uma conturbada relação com o astro do momento (Douglas), Anthony Mann deu lugar a ele. Kirk indicou Stanley pela parceria bem-sucedida em GLÓRIA FEITA…. 




Apesar da guerra de egos, o filme se firmou como referência no cenário mundial. O próprio ator, que detestou o convívio com o diretor, afirmava reconhecer sua genialidade, apesar dos pesares.
LOLITA é um filme de 1962, dos gêneros drama e suspense, dirigido por Stanley Kubrick, que adaptou para as telas o romance de mesmo nome escrito por Vladimir Nabokov. Polêmico como o livro, o filme fez sucesso mais uma vez, de público e crítica.




DR. FANTÁSTICO de 1964, uma comédia de humor negro dirigida por Kubrick. Baseado no romance Red Alert (também conhecido como Two Hours to Doom), um thriller da Guerra Fria de Peter George, o filme satirizou a tensão nuclear vivida pelo mundo à época. Peter Sellers estava em plena forma e, muitos dizem ser sua melhor interpretação.




2001, UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO foi dirigido e produzido por Stanley, coescrito pelo mesmo e Arthur C. Clarke. O filme lida com os elementos temáticos da evolução humana, tecnologia, inteligência artificial e vida extraterrestre. É notável por seu realismo científico, efeitos visuais pioneiros, imagens ambíguas que são abertas a ponto de se aproximarem do surrealismo, som no lugar de técnicas narrativas tradicionais e o uso mínimo de diálogo.
O filme é memorável por sua trilha sonora, resultado da associação feita por Kubrick entre o movimento de satélites e os dançarinos de valsas, o que o levou a usar Danúbio Azul, de Johann Strauss II e o famoso poema sinfônico de Richard Strauss, Also sprach Zarathustra, para mostrar a evolução filosófica do Homem, teorizado no trabalho de Friedrich Nietzsche de mesmo nome.
Apesar de ter sido recebido inicialmente de forma mista, 2001: A Space Odyssey é atualmente reconhecido pela crítica e pelo público como um dos melhores filmes já feitos. Foi indicado a quatro Oscars, recebendo um por melhores efeitos visuais. Em 1991 foi considerado “culturalmente, historicamente ou esteticamente significante” pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos para ser preservado no National Film Registry.




LARANJA MECÂNICA foi adaptado do romance de Anthony Burgess de 1962 com o mesmo nome. Emprega imagens violentas e perturbadoras que estão relacionadas a psiquiatria, delinquência juvenil, gangues de jovens e outros assuntos sociais, políticos e econômicos em uma Inglaterra futurista. Visceral e sem meias palavras, toca nas feridas da sociedade doentia em que se vive. 




BARRY LYNDON foi o menos inspirado filme de Kubrick. Sendo até hoje reconhecido mais por suas qualidades técnicas (figurino, direção de arte, fotografia), a produção parecia ser realizada por um Stanley preguiçoso, que parecia ter alcançado tudo e já não tinha motivação suficiente para ousar mais. 




Mas, eis que, depois de várias tentativas, Kubrick conseguiu os direitos do livro O ILUMINADO, de Stephen King e a história do cinema não foi mais a mesma...





2 comentários:

  1. Belo post! Kubrick foi sem dúvida um dos melhores diretores de todos os tempos!

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