terça-feira, 1 de julho de 2014

A AMERICANIZAÇÃO DO CINEMA BRASILEIRO




O cinema espanhol, assim como o argentino vive um momento criativo, muito superior ao brasileiro.


Filmes como ABRA OS OLHOS, REC, OS OLHOS DE JULIA, O LABIRINTO DO FAUNO e CELA 211 são alguns exemplos. 




Pelo lado portenho, AS NOVE RAINHAS, UM CUENTO CHINO, O FILHO DA NOIVA e TESE SOBRE O SUICÍDIO; além do vencedor do Oscar de 2010 O SEGREDO DOS SEUS OLHOS.





E quanto à tão propalada “retomada” do cinema nacional?



Em 1994, o longa TERRA ESTRANGEIRA, com Fernanda Torres, marcou o renascimento, por assim dizer, das produções brasileiras, em baixa nas bilheterias e com descrédito do público. As presepadas da Embrafilme, famosa por produzir quase que exclusivamente os amigos da corte, ajudaram atuaram como 'fogo-amigo'; a concorrência com películas de Hollywood também era sentida.



Mas as leis de incentivo criadas ainda na gestão do então presidente Fernando Collor e que se aprimoraram na administração de FHC deram um alento e ajudaram a fomentar a produção nacional.

Mas o que se viu foi a perda gradual da identidade dos filmes. Nelson Pereira dos Santos, Anselmo Duarte, Glauber Rocha, Cacá Diegues, tinham uma identidade própria, um talento nato que não se vê mais.



A nova geração estava pronta para o segundo round, mas sem correr o risco de uma empreitada arriscada do tipo “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Não poderiam arriscar. A retomada veio pra ficar.


A obsessão seguinte para legitimar o processo era o reconhecimento americano. Após a indicação de O QUATRILHO, de 1995, na categoria de Filme Estrangeiro, os produtores e a Globo, descobriram o filão. Viram que era bom e tentaram repetir a dose várias vezes, arriscando realizar produções previsíveis e com padrão de Hollywood, em detrimento da qualidade plena. Apareceram boas e gratas surpresas, mas foram raras.



Após O QUE É ISSO,COMPANHEIRO, CENTRAL DO BRASIL e CIDADE DE DEUS, a fixação dos homens que decidiam os rumos do cinema brazuca parece recrudescer.

Com uma necessidade extrema de autoafirmação, passivo de pena, as películas eram meticulosamente escolhidas, já pensando no que o mercado dos Estados Unidos queria. Um complexo exacerbado de '‘vira-lata’'.



Aos poucos as previsíveis continuações dariam lugar a filmes originais, vistos apenas em mostras pelo país, mas sem chance de ganhar exibição em grande circuito. A Globo Filmes se encarregaria da “eugenia cinematográfica”. Caio Blat expôs bem o problema.




Tramas e estética hollywoodianas, roteiros e direções capengas, finais previsíveis….A esperança pairava sobre os diferenciados. Eles ainda estão em busca de afirmação, mas o espaço é para o lugar-comum.



Enquanto isso, a América Latina evolui aos olhos do mundo. Filmes da Colômbia, do México, do Peru, do Uruguai, do Chile acabam por chamar a atenção com ideias simples, mas realizadas de maneira primorosa e com baixíssimo orçamento. Muitos dos caça-níqueis nacionais tem custos milionários. A estética e a evolução técnica são de primeiro mundo; o resultado final não.



Ideias criativas, bem realizadas formam uma combinação perfeita que resulta em uma grata surpresa aos espectadores.

Talvez o cinema brasileiro devesse seguir esse sistema, em vez de copiar as produções dos EUA. À exaustão.



Se continuar assim, nem a cota nas salas de cinema Brasil afora vai conseguir manter o interesse do público pela mesmice que assola o cinema nacional.



  

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